O Desafio entre a preservação do patrimônio e a modernidade

O Conselho Municipal de Políticas Culturais de Vicência foi criado há pouco mais de 10 anos. Ao longo dos anos, este conselho foi ganhando notoriedade e se destacando principalmente na luta pela preservação do patrimônio histórico de Vicência, mas esta luta não conseguiu impedir atrocidades culturais em bens que trazem memória afetiva cultural e patrimonial.

Imagem relativamente recente do Centro Histórico de Vicência na década passada

Recentemente, o CMPC elegeu uma nova diretoria, com jovens que querem contribuir para o desenvolvimento cultural da cidade, atrelado à questões sociais, econômicas e de desenvolvimento humano.

Há uma linha muito tênue entre a preservação do patrimônio histórico da cidade e a modernização dos espaços, para a geração de emprego e renda e movimentação da economia.

A visão da nova diretoria deste Conselho não é contrária à preservação do patrimônio histórico do município, pelo contrário, nossa luta em em defesa deste patrimônio. Acontece que o Conselho atualmente preza pelo diálogo, tanto com o poder público, quanto com os proprietários dos prédios históricos e também com a sociedade civil.

A preservação deve acontecer sempre, mas também é necessário que o poder público dê subsídios para que os proprietários possam preservar suas fachadas. O Decreto Nº 26 de 2011, informa que não serão concedidos alvarás para obras que modifiquem fachadas de prédios com influências de estilos coloniais, imperiais ou republicanas que tenham valor histórico e cultural. Este mesmo decreto não menciona o Conselho de Cultura e informa que os casos de demolição por necessidade imprescindível para atender o desenvolvimento econômico e segurança dos cidadãos devem ser analisados pela Administração Pública Municipal.

Há pouco tempo, após discussões internas, este Conselho deu parecer opinativo favorável à uma reforma na casa de nº 46 na Rua Oliveira Estelita, por entender que aquela casa já não possuía influências coloniais, imperiais ou republicanas. Como a casa já não possuía mais nenhuma das características supracitadas, a obra foi realizada sem passar por cima da lei. Foi assinado um termo de compromisso, onde o proprietário se comprometeu a doar os tijolos, madeiras e telhas para auxiliar na manutenção de outros prédios históricos na cidade.

Atendendo uma necessidade imprescindível de desenvolvimento econômico e segurança dos munícipes, também houve parecer opinativo favorável para uma construção de uma Galeria na rua lateral ao Mercado Público, sem afetar o largo da Igreja. Todas estas obras devem prezar pelo máximo de preservação, manutenção ou criação de características que remetam ao passado arquitetônico.

Esta junção entre cultura e economia tende a trazer grandes benefícios para o município, tanto de natureza cultural, quanto arquitetônicas, além de ajudar a contribuir para o desenvolvimento econômico do município, gerando empregos e renda.

Destaca-se ainda que estamos lutando para que o imóvel conhecido como CASA 14 possa ser reformado e torne-se o Museu de Vicência, um espaço cultural que mudará o conceito de lazer e preservação na cidade de Vicência.

Por fim, é necessário que a sociedade entenda que este Conselho não se reduz apenas à busca pela preservação de prédios históricos. O CMPC tem atuação também em diversas áreas como Cultura Popular, Música, Teatro, Dança, Organizações Não-Governamentais, Juventude, Saberes e Fazeres, Produção Cultural e outras áreas que fazem a Cultura acontecer.

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